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A GOTA (OU ARTRITE GOTOSA)

O que é?

A Gota é uma doença causada pela resposta inflamatória à formação de cristais de monourato de sódio (ácido úrico) dentro da articulação, geralmente associada ao aumento dos níveis de ácido úrico no sangue (hiperuricemia). É a doença articular inflamatória mais comum em homens com mais de 40 anos, e afeta 7 homens para cada mulher. É rara em crianças, e quando ocorre geralmente está associada a determinados distúrbios genéticos.

E por que ela ocorre?

O ácido úrico no sangue é resultado da metabolização de elementos conhecidos como bases purinas, provenientes dos ácidos nucleicos ingeridos na dieta. Esse processo é bastante complexo, e depende do bom funcionamento de várias enzimas, do fígado e dos rins.

Muitas doenças e situações do dia-a-dia, como o uso frequente de certos medicamentos, podem alterar esse metabolismo, elevar os níveis de ácido úrico no sangue e precipitar o aparecimento da doença. Algumas doenças e defeitos congênitos podem contribuir para isso, entretanto as principais causas de hiperuricemia estão relacionadas a um maior aporte de bases purinas no organismo, que ocorre no tabagismo, alcoolismo, e dieta rica em ácidos nucleicos. Como o rim é o principal órgão de eliminação do ácido úrico do organismo, quando a sua função está prejudicada (nos casos de insuficiência renal), a gota também pode ocorrer.

E como ela aparece? Quais são os sintomas?

Quem tem, ou conhece alguém que tenha gota, sabe bem como são os sintomas. A forma mais comum de apresentação é a artrite de uma articulação (ou, mais raramente, algumas), que se instala rapidamente, e é muito dolorosa e incapacitante. A articulação mais frequentemente afetada é a primeira metatarsofalangeana, no “dedão do pé”, que fica muito inchada e avermelhada, e habitualmente leva o paciente a procurar auxílio médico (ou, em muitos casos, a auto-medicação), por causa da intensidade dos sintomas. Essa “crise” evolui normalmente com melhora em alguns dias, mas entre as crises a hiperuricemia pode estar associada a vários outros problemas de saúde.

 

Em alguns pacientes ocorre a formação de acúmulos de material contendo cristais de ácido úrico sob a pele, nas articulações e cartilagens. Esse material pode formar grandes massas, chamadas de “tofos gotosos”, que além de refletirem uma doença mais grave, sem tratamento adequado, e de mais difícil controle, têm aspecto estético muito ruim para o paciente.

 

E como é feito o diagnóstico?

É importante lembrar que nem sempre o ácido úrico está aumentado no sangue durante uma crise, e nem todo mundo que tem níveis altos de ácido úrico tem ou vai ter gota algum dia. O quadro clínico sugestivos e a história de hiperuricemia frequentemente são suficientes para iniciar o tratamento, mas o exame confirmatório do diagnóstico é a punção articular (ou artrocentese) com análise do líquido sinovial (o líquido de dentro da articulação) em um microscópio e a pesquisa dos cristais de ácido úrico.

 

E como é feito o tratamento? Existe dieta específica?

O tratamento da gota deve ser programado pelo médico e é feito com medicações para tratar a crise e tratar a hiperuricemia entre as crises, mas sempre deve incluir recomendações de mudanças de hábitos de vida.

A restrição à ingesta de fontes de bases purinas é muito importante para o sucesso do tratamento, e as principais fontes dessas substâncias são:

  • Bebidas alcoólicas (principalmente a cerveja);
  • Frutos do mar, sardinha e anchovas;
  • Miúdos;
  • Leguminosas como feijão, ervilha e soja.

O tratamento da hiperuricemia pode ser recomendado em outras situações, mesmo que o paciente não tenha gota, tais como na presença de cálculos renais e síndrome metabólica.

O médico vai acompanhar o sucesso do tratamento com avaliações clínicas e exames regulares.