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ARTRITE REUMATOIDE

O que é?

A artrite reumatoide é uma doença inflamatória que afeta principalmente as pequenas articulações (mãos e pés), mas pode ter outras manifestações de outros órgãos também. É uma doença crônica de natureza auto-imune, ou seja, sua causa está relacionada a problemas do sistema imunológico, que provoca a inflamação por meio de anticorpos que são produzidos contra estruturas do próprio corpo.

Ela é comum? Pode acontecer em qualquer idade?

A artrite reumatoide acomete 1 em cada 100 pessoas. É mais comum entre as mulheres adultas (três vezes mais).

Apesar de haver algumas alterações genéticas relacionadas ao desenvolvimento da doença, o que provavelmente ocorre é a associação da susceptibilidade genética com fatores ambientais (como tabagismo, infecções e situações de estresse físico e emocional), que faz com que os sintomas comecem a aparecer.

Quais são os principais sintomas? Todos os pacientes apresentam os mesmos sintomas?

Existe um padrão típico de envolvimento articular na artrite reumatoide, entretanto alguns pacientes podem apresentar um quadro clínico atípico, com acometimento de outras articulações e mesmo envolvimento de outros órgãos. Nesses casos o diagnóstico pode ficar mais difícil. A velocidade de instalação é considerada insidiosa, podendo variar de semanas a meses. Os principais sintomas são a dor e o aumento de volume (“inchaço”) nas articulações.

As principais articulações acometidas pela doença são a juntas dos punhos, das mãos e dos pés, mas também pode haver comprometimento dos cotovelos, tornozelos, joelhos, ombros e quadris. Tipicamente o envolvimento é bilateral e simétrico, ou seja, acomete as articulações do lado esquerdo e direito com intensidade muito semelhante. É importante lembrar que o envolvimento da coluna lombar e das articulações interfalangeanas distais (das pontas dos dedos) não é comum, e nesses casos outras causas devem ser consideradas.

Uma característica típica da artrite reumatoide é a rigidez matinal, ou seja, a sensação de que as juntas afetadas se “enferrujam” após um período prolongado de repouso, e é necessário um tempo grande para que elas melhorem.

Por se tratar de uma doença sistêmica, não é incomum que o paciente apresente também sintomas como fadiga, mal-estar, febre baixa, emagrecimento, e dormências no corpo.

Outras manifestações que podem ocorrer, de forma menos comum, são:

  • nódulos subcutâneos: apesar de virtualmente poder aparecer em qualquer lugar, o local mais comum é a parte de trás do antebraço, próximo do cotovelo. São nódulos pequenos, eventualmente dolorosos;
  • doença pulmonar: inflamação no pulmão ou na pleura (a membrana que recobre o pulmão);
  • vasculite: inflamação de vasos sanguíneos da pele e outros órgãos;
  • esplenomegalia (aumento do baço).

 

E como é feito o diagnóstico?

Não existe um exame específico para o diagnóstico da artrite reumatoide. O diagnóstico deve ser feito pelo médico, geralmente um reumatologista, que, com base no quadro clínico e no exame articular, vai solicitar alguns exames que podem confirmar ou não a doença.

Esses exames geralmente vão incluir testes laboratoriais (exame de sangue) e exames de imagem, que podem ser radiografias comuns, ultrassonografia ou ressonância magnética.

O exame de sangue mais conhecido para a artrite reumatoide é a dosagem do fator reumatoide no sangue. Ele está presente em cerca de 70-80% dos pacientes com a doença. Isso quer dizer que há pessoas com artrite reumatoide que podem não ter esse exame alterado. O contrário também pode ocorrer, já que o fator reumatoide pode vir positivo em outras condições clínicas, e até mesmo em indivíduos saudáveis.

O fator reumatoide é um exame que serve unicamente para diagnóstico e prognóstico, e não reflete propriamente o “grau de atividade” da doença. Ele pode estar alto em um paciente bem controlado com medicamentos, e baixo em pacientes com muitos sintomas e a doença em atividade.

Para acompanhar o grau de atividade da doença, além do exame físico, o médico vai solicitar exames que detectam a quantidade de inflamação no organismo. Os mais conhecidos são a VHS (velocidade de hemossedimentação) e a proteína C reativa.

Os exames de imagem são capazes de quantificar o dano estrutural às articulações produzido pela artrite reumatoide (o grau de deformidade articular), e também o grau de atividade inflamatória em determinadas articulações. A radiografia convencional não é capaz de mostrar a quantidade de inflamação, apenas as alterações ósseas. Os melhores exames para avaliar a atividade da artrite reumatoide por imagem são a ultrassonografia com Power-Doppler e a Ressonância Magnética.

Se eu fizer o tratamento corretamente existe cura? Se eu não fizer eu posso ficar “entrevado”? O que mais eu posso fazer para ajudar no meu tratamento?

Até hoje não foi descoberta a cura para a artrite reumatoide. Os objetivos do tratamento são parar a inflamação e impedir a progressão dos danos com deformidades articulares, ou seja, a remissão da doença. Uma boa parte dos pacientes que faz o tratamento corretamente consegue atingir esses objetivos, mas pode precisar de remédio por bastante tempo. A maior parte dos pacientes que não seguem o tratamento corretamente, ou levam muito tempo para voltar ao médico, evolui com algum grau de deformidade e disfunção no futuro. Aspectos genéticos e determinados fatores de risco individuais também podem contribuir para a velocidade de evolução.

Não existe comprovação até o momento que nenhuma restrição dietética radical seja benéfica para o tratamento da artrite reumatoide. Uma dieta equilibrada, sem exageros, contribui para uma saúde melhor como um todo, e dessa forma também para a artrite reumatoide.

A prática de exercícios físicos sob supervisão também deve ser estimulada em todos os pacientes que tenham condições de fazê-lo. Eles ajudam no fortalecimento muscular, na manutenção do arco de movimento, e no metabolismo ósseo, além dos benefícios cardiovasculares. Mas é sempre importante conversar antes com o seu médico, para saber quais os tipos de exercícios mais adequados para você.

Outra medida considerada como fundamental no controle da atividade da doença é para de fumar.

E como é feito o tratamento?

Existem vários tipos de tratamento para a artrite reumatoide, desde os medicamentos mais simples até os mais fortes. O seu médico, junto com você, e analisando seu caso individualmente, vai decidir qual o melhor caminho a ser tomado.

Pode ser que um ou outro medicamento não faça efeito, ou tenha algum tipo de efeito indesejável. Se isso ocorrer não se preocupe, converse com seu médico, pois já há muitos medicamentos indicados no tratamento dessa doença.

É sempre bom lembrar que os remédios usados na artrite reumatoide podem ser divididos em dois grupos: os medicamentos sintomáticos (como os analgésicos e anti-inflamatórios), que fornecem alívio rápido das dores, mas não protegem a articulação dos danos da doença, e os medicamentos chamados de “modificadores de doença”. Esses últimos são remédios mais específicos, que não fazem efeito de uma hora pra outra, mas são fundamentais no controle da atividade da doença e na prevenção de deformidades.

Por isso siga sempre as orientações do seu reumatologista, e converse com ele sobre todas as dúvidas que você tem sobre a sua doença.