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ESPONDILITE ANQUILOSANTE: Você já ouviu falar dessa doença?

Esse é um nome complicado e a princípio assustador, de uma doença relativamente rara (cerca de 1 caso em cada 100 pessoas), mas que pode levar a limitações muito importantes se não diagnosticada e tratada corretamente.

Trata-se de uma condição inflamatória que afeta preferencialmente as articulações da coluna e da bacia, mas também pode acometer outras juntas.

Apesar de a causa ainda não ter sido descoberta, sabemos que há uma predisposição genética bastante significativa para a espondilite, e parentes em primeiro grau de pacientes com a doença têm mais chance de também desenvolvê-la.

O que chama à atenção na espondilite anquilosante é que os sintomas começam cedo (antes dos 40 anos de idade), e no início podem ser pouco específicos, o que faz com que muitas vezes nem o paciente nem o médico valorizem as queixas.

Se há uma causa genética, ela só acontece nesses pacientes? E todos os parentes de um doente vão ter a doença?

Não. Existe um “marcador genético”, que é detectado no exame de sangue, chamado HLA-B27. Ele está presente em 7 a 10% de toda a população, mas nem todo mundo vai desenvolver a doença. Com dissemos, a causa da espondilite ainda não foi totalmente esclarecida, e algumas pessoas com o HLA-B27 detectado no sangue nunca vão apresentar sintomas. Sabemos que a doença é muito mais comum no sexo masculino, mas mesmo assim, o filho de um paciente com espondilite tem menos de 10% de risco de desenvolver a doença. Além disso, há casos em que o paciente tem o diagnóstico, mas não apresenta o HLA-B27 no sangue. Por isso existem critérios clínicos, laboratoriais e radiológicos para confirmar o diagnóstico.

Como eu posso saber se tenho essa doença? Preciso me preocupar se sou jovem e tenho dor nas costas?

A dor lombar é um dos sintomas mais comuns, mesmo entre os jovens, principalmente em função dos hábitos de vida atuais. A dor na coluna da espondilite anquilosante tem o que chamamos de caráter inflamatório, ou seja, começa aos poucos, inicialmente de forma leve, e vai evoluindo lentamente (e dura bastante tempo, mais de três meses), é pior pela manhã (caracterizando o que chamamos de “rigidez matinal”), e vai melhorando durante o dia.

A dor na região inferior das costas e na parte de trás da bacia é o sintoma mais clássico da doença, mas o paciente pode sentir dor em todo o trajeto da coluna vertebral, em outras articulações e outros pontos específicos (na inserção dos tendões nos ossos, conhecida como êntese).

Além disso, a espondilite pode comprometer outros órgãos, como os olhos (ocorre a uveíte, inflamação de certas partes do olho, deixando ele vermelho e doloroso), a pele (lesões do tipo psoríase – placas avermelhadas, elevadas e com descamação – podem estar presentes em associação com as queixas articulares) e os intestinos (pode ocorrer inflamação do tipo colite, e o paciente apresenta diarreia com muco e sangue).

 

Além disso, o paciente com espondilite anquilosante geralmente sofre de uma fraqueza generalizada, que geralmente não acontece no paciente que, por exemplo, tem uma dor lombar provocada por esforço físico exagerado.

Nas fases mais avançadas da doença mais grave é possível detectar as deformidades características que a doença provoca na coluna, quando o tronco fica permanentemente “curvado” para a frente e apresenta pouca capacidade de se flexionar (em uma postura conhecida como “posição do esquiador”).

Existem exames que podem comprovar o diagnóstico?

O diagnóstico de espondilite anquilosante deve ser feito com base na história clínica, no exame físico e em alguns exames complementares, que auxiliam o raciocínio do reumatologista.

Os exames de imagem são fundamentais para a confirmação do quadro, já que podem mostrar alterações bastante específicas da espondilite. Em muitos casos, uma radiografia comum já pode mostrar alterações sugestivas. Em outros, principalmente no início da doença, pode ser preciso realizar outros exames, como a ressonância magnética.

Alguns exames laboratoriais também serão solicitados pelo médico. Eles são feitos com o objetivo de avaliar a condição inflamatória e descartar outras doenças que podem causar sintomas semelhantes aos da espondilite anquilosante.

A pesquisa do HLA-B27 no sangue nem sempre é acessível e barata, mas pode ajudar em alguns casos suspeitos. Ela por si só não “sela” o diagnóstico.

Mas existe tratamento? Ele é curativo?

Até hoje não existe cura pra essa doença, e a evolução é muito variável de um paciente pra outro, de forma que nem todos os pacientes necessitam de tratamento medicamentoso.

Independente do tipo de evolução, para todos os pacientes é fundamental a prática de exercícios físicos (claro, orientados pelo médico ou fisioterapeuta), para fortalecer a musculatura, manter a estabilidade articular, e preservar a postura.