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SÍNDROME DE SJOGREN

Muitas vezes sentimos que algo não vai bem com a nossa saúde, mas por falta de tempo ou de informação, acabamos por atribuir certos sintomas a estresse, idade e certos hábitos de vida. Em alguns casos vários sintomas diferentes podem estar relacionados a uma mesma doença.

É o caso da Síndrome de Sjogren, que envolve órgãos diferentes, provocando sintomas que muitas vezes não estão relacionados, que podem confundir tanto o paciente quanto o médico, atrasando o diagnóstico e o tratamento. Conhecer mais sobre a doença é fundamental para reduzir esse atraso.

Mas o que é Síndrome de Sjogren afinal?

Apesar de pouco conhecida da maior parte das pessoas, essa doença foi descrita em 1933, e o primeiro médico a descrevê-la foi um oftalmologista (Henry Sjogren).

A síndrome de Sjogren é uma doença de natureza auto-imune,ou seja, os sintomas são causados por uma resposta imunológica inadequada do corpo, que não está reduzida e nem exacerbada, apenas voltada para estruturas do nosso próprio organismo.

Outra característica da doença é a possibilidade de envolver vários órgãos diferentes ao mesmo tempo, causando combinações de sintomas que nem sempre seguem um padrão comum, dificultando o diagnóstico. Desde as glândulas lacrimais até o sistema nervoso podem ser afetados.

As principais estruturas afetadas são as glândulas exócrinas, responsáveis pela lubrificação de vários órgãos de todo o corpo.

Não é uma doença contagiosa. Pessoas com parentes com síndrome de Sjogren e outras doenças auto-imunes têm maiores chances de desenvolver a doença, e isso ocorre geralmente por um estímulo externo que funciona como “gatilho para o início dos sintomas. Esse gatilho pode ser uma infecção, um traumatismo ou até situações de estresse intenso.

A doença acomete principalmente o sexo feminino (estatísticas mostram uma proporção de até 20 mulheres para 1 homem), e os sintomas começam normalmente por volta dos 40 – 50 anos, embora haja relatos de casos até em crianças.

Quais são os principais sintomas?

Como as células de glândulas lubrificantes são as mais afetadas, os principais sintomas são olhos e boca secos. Nos olhos, às vezes a queixa de olho seco não é muito explícita, e o paciente pode referir apenas a sensação de “areia nos olhos”. O ressecamento pode ocorrer também na pele e na mucosa do trato genital (nesse caso o sintoma pode ser apenas dor e pouca lubrificação durante o ato sexual). Algumas vezes a inflamação nas glândulas salivares pode levar a um quadro de parotidite (as glândulas ficam inchadas e doloridas, parecendo com a caxumba).

Outros sintomas comuns são as dores articulares e a fadiga. A maior parte dos pacientes tem a doença limitada às glândulas, mas outras manifestações podem ocorrer em até 40% dos casos.

Sintomas mais raros podem envolver o trato gastrointestinal, os rins, os pulmões e o sistema nervoso.

E como é feito o diagnóstico?

Por envolver de forma variada muitos órgãos, o diagnóstico da Síndrome de Síndrome de Sjogren pode ser bastante complicado. Para isso o médico leva em conta os sintomas e alguns resultados de exames solicitados quando suspeita da doença.

Os exames solicitados incluem testes sanguíneos para auto-anticorpos e marcadores de inflamação, além de avaliação específica para disfunção das glândulas salivares, como ultrassonografia ou cintilografia.

O paciente deve também ser avaliado por um oftalmologista, que pode diagnosticar e quantificar a secura ocular, além de detectar possíveis complicações. Na verdade, muitas vezes é o próprio médico oftalmologista quem primeiro suspeita da doença, e encaminha para avaliações complementares.

Algumas vezes a Síndrome de Sjogren pode ser considerada secundária a outras doenças autoimunes, como a artrite reumatoide e o lupus. Isso acontece quando um paciente com uma doença principal apresenta sintomas de síndrome seca, por exemplo.

 

Essa doença é grave? Pode matar?

A maior parte dos casos é de gravidade leve a moderada, e não apresenta complicações mais graves. No entanto, em alguns casos em que o diagnóstico e o tratamento não são feitos corretamente, podem ocorrer complicações oculares mais graves, como úlceras de córnea e até a perda da visão, e prejuízo da saúde oral e dos dentes, como e aumento de infecções por fungos.

Em outros casos pode haver envolvimento inflamatório dos rins e pulmões, além de vasos sanguíneos (chamada vasculite), que pode provocar manifestações na pele, intestinos e no sistema nervoso.

E como é feito o tratamento?

Podemos separar o tratamento em duas etapas:

  1. tratamento da síndrome seca: tem como objetivo o alívio dos sintomas relacionados à secura oral e ocular e prevenir as complicações locais, como infecções orais e dentárias;
  2. tratamento das manifestações sistêmicas, como artralgia, fadiga e envolvimento visceral.

Para o controle dos sintomas de secura ocular e oral hoje há vários compostos de aplicação local (colírios, pomadas, saliva artificial, gomas de mascar), que ajudam a melhorar a hidratação dos olhos e da boca. O mesmo conceito se aplica aos cremes hidratantes para a pele.

Alguns cremes dentais também foram desenvolvidos para uso específico em pacientes com secura oral, que contêm componentes que reduzem o risco de cáries.

Também não é demais lembrar que a ingestão de água é muito importante para manter a hidratação dos paciente com Síndrome de Sjogren.

A secura vaginal pode ser tratada também com lubrificantes vaginais, cremes à base de hormônios e vitamina E.

Mesmo que pareçam a princípio “inofensivos”, todos esses produtos devem ser utilizados sob orientação médica, já que também têm contraindicações e efeitos colaterais.

De forma semelhante, o tratamento das manifestações sistêmicas deve ser determinado pelo médico, já que pode envolver desde anti-inflamatórios até imunossupressores potentes.

O conhecimento é a principal ferramenta que temos para poder diagnosticar e controlar com eficiência as doenças menos comuns.